A divulgação sobre o projeto “Pelos caminhos do Rio Vieira", reportagem que foi feita pela Rádio Terra de Montes Claros através do jornalista Leandro Aguiar.
Na reportagem o jornalista abordou a importância do desenvolvimento do trabalho fazendo uma alusão de que o projeto fora feito pelos alunos de uma escola de periferia, diz o texto:
O Nível de ensino no país, principalmente com relação a escola Pública está deixando muito a desejar. Existe uma necessidade de se tirar a nossa educação do quadro negro em que se encontra. Entretanto alguns projetos sobressaem elaborados com carinho e dedicação por professores e alunos.
A Escola Estadual Benjamim Versiani dos Anjos, localizada na periferia de Montes Claros elaborou um projeto sobre a preservação do Rio Vieira que em nada fica a dever a uma escola particular, demonstrando que o querer, a dedicação de professores e alunos são responsáveis para alcançar todos os objetivos.
Um projeto dessa envergadura serve sobretudo, para conscientizar a comunidade sobre a importância da preservação do meio ambiente, como também despertar no aluno, mesmo o aluno de periferia que luta com a falta de infra-estrutura, e que ainda não haviam tido a experiência com a informática, debruçaram nos computadores e conseguiram desenvolver um trabalho em tecnologia de ponta visando a conscientização da preservação do meio ambiente.
A reportagem enalteceu o trabalho desenvolvido pelos próprios alunos da escola, e os próprios professores ficaram surpresos com o resultado do empreendimento.
É importante salientar que o projeto, executado dentro das maiores limitações, trata-se de um projeto grandioso e que sem dúvida deverá alcançar o objetivo.
Despertar a consciência da preservação do meio ambiente.
Leandro Aguiar
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O trabalho realizado sobre o Rio Vieira, repercutiu na cidade de Montes Claros MG, e região. A TV Grande Minas afiliada Rede Globo de Televisão, acompanhou o desenvolvimento do projeto junto aos aluno e professores. A reportagem elaborada pela jornalista Flávia Marsola, exibida no MGTV, 1ª Edição, no dia 19 de junho de 2003, está abaixo transcrita.
- Alexia Balesteros: (Apresentadora) Estudantes de vários países se unem na luta pela preservação da natureza. O Projeto desenvolvido por uma Universidade dos Estados Unidos, em parceria com escolas de vários países tem como principal objetivo recuperar rios e nascentes.
- Flávia Marsola: (Repórter) O rio Vieira é o tema do Projeto dos alunos da E.E. Benjamin Versiani dos Anjos. Eles estão fazendo um levantamento sobre as características e histórias do rio. As informações ficarão disponíveis na Internet e fazem parte de um Intercâmbio com a Universidade de Michigan nos Estados Unidos.
- Professora Mariângela Praes Azevedo (Coordenadora do Projeto) Esse Projeto é desenvolvido em várias etapas. Na 1ª etapa, os alunos fizeram a escolha do rio de sua preferência. Aqui, nós escolhemos o rio Vieira. Levantamos todas as informações à respeito do rio, coletamos essas informações e sistematizamos. Na 2ª etapa estamos fazendo essa visita a nascente do rio. Na 3ª etapa vamos sistematizar e dividir esse conhecimento com os alunos ao redor do mundo. Como o Projeto é on-line, estamos conectados com outras escolas dividindo e trocando experiências.
- Flávia Marsola: (Repórter) Três escolas de Minas Gerais fazem parte do Projeto RiverWalk. Duas são de Montes Claros. Durante um mês os estudantes fizeram pesquisas em livros , entrevistas com moradores antigos, conheceram na prática a realidade desse rio que cruza a cidade.
- Merilene Venuto: (Aluna) A gente tem contato com a natureza, fica mais interessante, divertido e assim a gente aprende mais.
- Professora Vilma Athayde de Moraes Pimentel:(Diretora da escola) Os alunos participam, aprendem mais e a gente pode mostrar para os colegas e alunos de outras escolas como a escola pode ajudar na comunidade, como a escola pode participar de projetos do meio ambiente e de proteção à natureza.
- Flávia Marsola: (repórter) A caminhada ecológica durou a manhã inteira, os alunos viveram momentos de aventuras.
- Edilberto: (Aluno) A gente teve que subir algumas serras e descer também. Prá conhecer a cachoeira a gente desceu uma ladeira bastante grande, inclusive o pessoal escorregou um pouco, mais foi legal, porque a gente pôde conhecer onde ele ainda é um pouco preservado. Pudemos até tomar água do rio na parte que é preservada.
- Flávia Marsola: (Repórter) O rio Vieira tem 23km de extensão. Os adolescentes puderam conhecer alguns trechos em que à água está limpa e outros onde há poluição: pneus, plásticos, lixo, tudo jogado por moradores dentro do rio. Esse é o reflexo da falta de consciência ecológica.
- Daiane Aparecida:( Aluna) Nós percebemos que o rio é tão lindo, tão bonito mas também que está tendo devastação dessas matas, e também percebemos perto da nascente, bastante lixo e ficamos impressionados com a falta de preservação do meio ambiente.
- Flávia Marsola (Repórter)
Este técnico da COPASA acompanhou a turma, e deu orientações sobre o rio, falou também sobre preservação e o papel que cada cidadão tem no processo de recuperação do vieira.
- José Ponciano ( Técnico da COPASA ) Depois dessa caminhada eles estão preparados e realmente capacitados para serem os guardiões da natureza.
- Professora Mariângela Praes Azevedo (Coord. do Projeto ) A questão da água hoje é mundial e está sendo discutida com toda a sociedade: como usar estes recursos e a melhor maneira de usá-los é de extrema importância.
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O Jornal de Notícias de Montes Claros MG, publicou no dia 14 de setembro de 2003, a reportagem abaixo:
Norte de Minas
Montes Claros- 14 de Setembro de 2003
Pelos caminhos do Rio Vieira
Os professores e alunos da E.E. Benjamin Versiani dos Anjos, preocupados com o futuro da cidade, e principalmente do meio ambiente, fizeram um trabalho sobre o Rio Vieira. Afinal, foi em suas margens que nasceu a Montes Claros de hoje... mas o que será amanhã?
Vocês amam o Rio Vieira?
Mas vocês o conhecem? Ninguém ama o que não conhece e quem conhece um rio certamente o amará, mesmo que, à primeira vista, não seja amável. O Rio Vieira é muito falado em Montes Claros e todos o conhecem nas suas aparências. Nunca se debruçam sobre ele para senti-lo, até porque causa náuseas em quem dele se aproxima. Resolvemos vencer naturais resistências e pesquisá-lo. Surpreendemo-nos e queremos que todos o conheçam e, em o conhecendo, há de nascer interesse, simpatia e, quiçá, amor. Um amor transformador, recuperador. É fácil falar o negativo que salta de qualquer um. Você sabe onde nasce o rio Vieira? Como ele era? Quando o desfiguraram? Por quê? Para quê? Onde deságua? Muitos questionamentos são possíveis de se fazer. Talvez surpreendam a uns e incomodem a outros. Certas coisas, quanto mais mexidas, mais... fedor exalam... E é este o nosso objetivo. Ser companheiros do sofrido Rio Vieira, chamar a consciência pública para a causa, cobrar dos responsáveis atitudes e dialogar com vocês que nos querem parceiros de um intercâmbio proveitoso.
RIO X CIDADE
Em 1937 foi nomeado como prefeito de Montes Claros o Dr. Antônio Teixeira de Carvalho, o Dr. Santos. Homem de visão, além de várias obras, investiu no saneamento básico. Em 1938, foi inaugurada a rede de água de Montes Claros e no ano seguinte deu início à construção da 1ª rede de esgoto. O projeto foi dividido em três etapas, atendendo a área urbana central, a região Leste e Oeste. O engenheiro responsável foi o Dr. Newton Veloso e a execução ficou a cargo de Dr. Porthos Lemos Roche. O interessante do Projeto foi a preocupação em preservar o Rio Vieira. Os afluentes de esgotos não eram jogados no rio. Foi construída uma pequena estação de tratamento, as fossas, que continham um poço “digestivo decantador vertical”. Além desse “decantador”; a fossa, estação de tratamento, tinha mais de 17 tanques “ “flexíveis”, automáticos, para a “purificação” dos afluentes coletados pela rede de esgoto. “O “Gazeta do Norte” noticiou que esse tipo de fossa poderia até fornecer um adubo de ótima qualidade, rico em húmus.
A poluição chega
Hermes de Paula afirmava que o Rio Vieira começou a ser poluído durante a administração do prefeito Simeão Ribeiro Pires. A criação de um matadouro e curtume no bairro do Melo foi a causa da poluição, com descargas de tamino nas águas. No entanto, o grosso da poluição do manancial começou com a construção das primeiras redes de esgoto da cidade. Iniciou -se aí, o sacrifício do manancial de águas límpidas e fartas, que outrora servira a tudo e a todos na cidade. O Vieira naqueles tempos, estava em plenitude, com águas claras, muita pesca e árvores. Pensou-se até em canalizar a água para os moradores. Mas, ao invés de canalizarem água potável do seu leito, usaram o mesmo para despejar esgotos e depois de muitos anos cheio de detritos, procuraram escravizá-lo em caixotes, construindo sobre ele a Avenida Deputado Esteves Rodrigues, conhecida também, como Av. Sanitária.
FAUNA
Segundo D. Olga Ribeiro da Silva ( 68 anos ) e Antônio Calvacante Albuquerque ( 71 anos), residentes na cidade de Montes Claros há mais de 60 anos, as margens do Rio Vieira eram contempladas por uma diversidade de animais tais como : macaco-prego, guariba, cervos, macaco-aranha, coelhos etc. Embelezavam os céus pássaros de variadas espécies como: Sábia, sofrê, pica-pau, cardeal, papa-capim, canários, jacu de barriga, saracura, seriema etc. Suas águas limpas e transparentes abrigavam peixes como: curimbatá, bagre, piabas, traíra, cascudo, lambari, piau, piranha etc. Alguns animais ainda são encontrados próximos a nascente do rio. No trecho que drena a cidade, em suas águas poluídas, desprovidas de matas ciliares são encontrados apenas microorganismos e animais mortos, jogados pela população que acaba atraindo grande quantidade de urubus.
FLORA
A flora às margens do Rio Vieira é escassa. Com a ação humana começa a devastação das matas ciliares e matas de topo no nascedouro. Fato que se repete ao longo das margens. Em alguns trechos notou-se a presença de muitos aguapés, planta aquática que surge geralmente em águas poluídas e se alimenta dos nutrientes ali presentes derivados da poluição. Ao mesmo tempo que oxigena, os aguapés depuram as águas. À medida que se afasta da nascente rumo a Montes Claros, a mata é substituída por pastagens. As queimadas são recursos usuais dos ribeirinhos para atingir seus objetivos. O equilíbrio ecológico é rompido em toda a região próxima ao rio e adjacências. Desestruturam - se os elementos que compõem uma paisagem: clima, solo, hidrografia, relevo e vegetação. Aproximando - se da zona urbana, percebe- se a necessidade de preservação da natureza. São as plantas que produzem o oxigênio, purificando o ar, conservam a umidade, protegem o solo, as nascentes e os cursos d´água. A flora ajuda a evitar o assoreamento de um rio. E o Vieira sofre desse mal. população do município precisa tomar consciência de que é importante preservar os recursos naturais. Não é função apenas do poder público. Sem isentar ninguém de suas responsabilidades, verificou- se “ in loco” que o Rio Vieira não estaria numa situação tão calamitosa se a população não tivesse sido tão egoísta e imediatista.
Água que nasce na fonte serena do mundo e que abre o profundo grotão A nascente principal do Rio Vieira é na fazenda do Vieira, localizado a 8km da cidade de Montes Claros, norte do estado de Minas Gerais. Seu percurso é de mais ou menos 70km. Vários minadouros abastecem o rio, que tem também afluentes tais como o córrego das Mangues, o córrego Vargem Grande e o rio dos Bois, esse através do rio Pai João e outros regos. O Vieira deságua no rio Verde Grande, que deságua no rio São Francisco e por fim oceano Atlântico.
Os afluentes do Vieira:
a) Rio dos Porcos, cujas águas, são represadas para juntamente com as dos águas do rio Pacuí, abastecer a cidade do precioso líquido. b) O Rio dos Bois nasce na fazenda das Quebradas, torna-se subterrâneo. Ao emergir, banha várias fazendas, prestando-se muito para açudagem, sendo por isso subdividido em numerosos regos, permitindo fartas colheitas e formação de chácaras e hortas. Depois de esbanjar suas águas, passa a denominar-se Pai João. Recebe as águas do Riacho dos Morcegos, nas Quebradas; e do Rio das Pedras, na fazenda Rio das Pedras. c) Rio do Cedro na fazenda Buriti a 2km do povoado Varginha Campo do Santo; corre através de lapas respiradouros e grutas, atravessa a Serra Sapé, banha as cabeceiras, Guiné e Cedro onde alimentava as turbinas para a primitiva usina elétrica que abastecia acidade de força e luz; aí no Cedro, forma uma pequena cachoeira; deságua afinal no Rio Vieira, com ao nome de Lagoinha. d) Mocambo Firme, nasce na Soledade, recebe o Cabeceiras e se junta ao Mumbuca passando a se denominar Canoas; com esse nome deságua no Vieira. * Área drenada nasce a sudoeste ,drena o centro da cidade de Montes Claros, toma a direção norte do município e deságua a nordeste, no Rio Verde Grande, na Fazenda Canací no município de Capitão Enéas.
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Curiosidades envolvendo o Vieira
Localização: Rio Vieira nasce na antiga fazenda dos Vieiras, que foi dividida em várias outras fazendas. Uma delas hoje é a Betânia, um sítio habitado por freiras. Nesse local o rio tem duas nascentes. Controvérsia: O Rio Vieira recebe este nome devido suas nascentes localizarem na antiga fazenda dos Vieiras, mas tem certos pontos que ele recebe outros nomes, como Rio dos Carrapatos. Conta-se que no século passado, o naturalista viajante Auguste de Saint- Helaire passou pela fazenda de José Vieira de Matos, cujo nome era “Ribeirão”, explicando que “a habitação de Ribeirão depende da paróquia de Itacambira, que jaz afastada oito léguas , e está compreendida no termo de Minas Novas”. O proprietário era um homem que renunciou ao emprego na administração dos diamantes, para terminar os seus dias em paz no sertão. Em que pese a ausência de qualquer registro , seria esse José Vieira de Matos a emprestar o “Vieira” ao rio. Sua fazenda era localizada nas proximidades da hoje cidade de Bocaiúva e ele certamente, pelas suas posses, teve muita influência na antiga Formigas, cujo rio, por coincidência, tinha o mesmo nome de sua propriedade: “ Ribeirão”, mais tarde virou “ Vieira”. Progresso: O percurso original do Rio Vieira foi desviado para melhor execução do projeto de construção da Avenida Deputado Esteves Rodrigues, que não permitia tantas curvas na região central da cidade. De acordo com José Ponciano Neto - Técnico de Produção e Meio Ambiente da Copasa (Companhia de Saneamento Básico de Minas Gerais), a estatal mineira tem projetos que visam o tratamento das águas do Rio Vieira através de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e de Interceptores. ASssim, os problemas relacionados com a poluição do Rio serão sanados, tornando um rio revitalizado e despoluído até 2005. “Com águas limpas e transparentes, o Rio Vieira foi transformado em um manancial morto pela poluição e enterrado em “caixotes” de concreto”. (Hermes de Paula) Acidentes: Ao longo da avenida é comum o número de acidentes envolvendo carros e motos, alguns com vítimas fatais. Segundo levantamento da Polícia Militar de Montes Claros muitos motoristas embriagados curam suas ressacas “bebendo” as águas poluídas do Rio Vieira. Volume de água: O grande volume de água visto na região próxima ao Rio Verde Grande, onde o Rio Vieira deságua é resultante da água dos esgotos recebidos na cidade de Montes Claros. Enganos: A área coberta da Avenida Sanitária que passa no centro da cidade não se refere ao Rio Vieira, como pensa a maioria da população. Trata-se, na verdade, de uma barroca que se encontra com o rio. Lazer: O rio hoje poluído já foi área de lazer. Boa parte da população de Montes Claros recorria aos diversos poços para nadar em águas limpas e transparentes. “Naquele tempo eram cinco os poços preferidos. No fundo da fábrica de tecidos Santa Helena, hoje residência de Antônio Augusto Athayde, as pessoas desciam pelo “ beco da fábrica” e iam nadar no “poço da fábrica” ou “rio da fábrica”, trecho frequentado por rapazes de mais de 18 anos. O outro poço ,”beco da guarda” recebia meninos de aproximadamente 12 anos. E logo abaixo, havia o "poço do mirante”, em frente ao mirante do padre Chaves. Por fim , o poço da banca”, com cerca de 50 metros de comprimento e muito fundo, era o poço dos adultos e mulheres de vida livre. O poço mais frequentado por rapazes de famílias importantes era o poço de Antônio dos Anjos”, no Melo na fazenda de Antônio dos Anjos. O detalhe interessante é que todos nadavam pelados nesses poços. (Fonte: Montes Claros em Foco/Novembro79)
Águas escuras dos rios que levam...
Quando um rio não tem mais seres vivos vivendo nele, está sujo e mal-cheiroso e ninguém mais pode usá-lo para o lazer ou para qualquer outra função, diz-se que está poluído.A cidade de Montes Claros conta com uma população de 314 mil pessoas que jogam 530 litros de esgoto por segundo nas águas do Rio Vieira. O rio sofre um fenômeno chamado “eutrofização”, ou seja, o despejo de grande quantidade de nutrientes na água, desequilibrando as teias alimentares aquáticas. Esses nutrientes podem estar em forma de matéria orgânica ou na forma de sais minerais. Nessa situação, as bactérias aeróbias se reproduzem de tal forma, que falta oxigênio para elas. A partir daí os micróbios anaeróbios(não usam oxigênio) entram em ação causando o mau cheiro do rio, pois ao realizar a sua digestão, produzem os gases metano, sulfídrico, e ácidos voláteis que poluem o ar com um cheiro nada agradável. Além de toda essa poluição que o rio Vieira sofre, há também a “poluição visual”. Quem passa pela avenida não enxerga um rio. O que se vê é uma água nojenta, escura e mal cheirosa, cheia de animais mortos, comprometendo a imagem da nossa cidade. Na periferia, a situação se agrava, uma vez que a precariedade de condições, a falta de saneamento básico, o descaso das autoridades e a falta de informação da população contribuem para o desenvolvimento desse quadro. Aderbal Bento de Sousa, Professor sexagenário conta como conheceu o Rio Vieira. Ele relata que era um rio vivo, alegre onde as fazendas tinham nele a certeza de água para os animais. Eram encontradas, várias espécies de peixes, que eram muito abundantes como o bagre e piabas. E outros animais como saracuras, pássaros de várias espécies e pequenas caças que vinham ao rio para matar a sede. O rio contava com plantas nativas como o Jatobá, aroeira, e muitas outras que sombreavam suas margens. Ele conta que subiam nas árvores para pular nos poços e utilizavam os cipós para brincar de Tarzan. Além de servir para pequenas irrigações, o Rio Vieira era usado pelas lavadeiras que lavavam trouxas de roupas. As pessoas banhavam no rio; ele mesmo, quando criança, já tomara banho no rio. Hoje ele fala que o rio é uma vergonha para nós e para Montes Claros, pois antes trazia àÁguas escuras dos rios que levam... população benefícios e alegrias. Agora, além de trazer muriçocas, moscas, insetos nocivos, catinga, doenças respiratórias, ainda traz uma vista desagradável para a cidade. Dona Maria Luiza, dona de casa, mora perto do rio há quase 35 anos, e nos conta que quando chegou ao bairro ele ainda era limpo. Ela recorda as belezas e utilidades que o rio oferecia. As suas águas abrigavam em grande quantidade inúmeras espécies de peixes, como: Curimatã, Cari, Cascudo e outros. O rio também servia para irrigação de plantações dos próprios moradores. Muitos o utilizavam para lazer, passavam horas se divertindo nas suas águas limpas. Ela conta que não acredita no que vê hoje: um rio que antes era tão bonito, que oferecia tantos prazeres e utilidades, agora oferece um terrível mau- cheiro, moscas e pernilongos. No lugar dos peixes só existem alguns cágados. Ela diz, com grande tristeza, que o Rio Vieira é sinônimo de problemas e prejuízos. Na época da chuva, ela conta que ele transborda e chega a invadir sua casa. Dona Maria conta que para ela a poluição do rio começou com o crescimento da cidade e que os órgãos públicos e a prefeitura não têm dado nenhuma importância para ele. Com a poluição o Rio Vieira perdeu toda sua riqueza. Revela com tristeza Dona Maria.
ALEGRIA X TRISTEZA
As manhãs de sábado na Cidade de Montes Claros esbanjam alegria, abrigando a famosa feira no Mercado Municipal, localizado à Avenida Deputado Esteves Rodrigues, mais conhecida como Avenida Sanitária. Lá são oferecidas roupas, verduras, frutas e legumes, calçados, artesanato popular feito pelos artistas da região, remédios e plantas medicinais, uma boa rapadura, queijo, requeijão e o famoso pequi, símbolo ecológico do município. Em frente ao mercado o Rio Vieira chora, amargando a solidão de não mais ser notado, nem sequer ser reconhecido como Rio, pois serve apenas de depósito para o esgoto do mercado, bem como de toda a cidade. Conta-se que o Rio Vieira passava exatamente onde é o mercado. Com a criação da Avenida Sanitária, o Rio teve que ser desviado para que a avenida fosse concretizada. Será que isso foi realmente bom? Um mercado que oferece a população alimentos e outros produtos, que se encontra próximo à um rio que é poluído, que traz nas suas águas, males que podem prejudicar a população. O Rio que assiste à felicidade desse povo em pleno Mercado chora pelo descaso que o mesmo povo tem por ele.
Jornal de Notícias