RIO VIEIRA
Sou o Rio de esgoto dos MONTES. Quem me sujou tem gestos não – CLAROS !... Nasci puro, são filhos de fontes, Águas virgens, desejos preclaros.
Corri terras, molhei muita planta, Saciei de animais sede e fome De areias e pedras fui mata, Entre os rios já tive um bom nome.
Nestas plagas cheguei com esperança De ser útil e lavouras irrigar, Vi sorrisos em mães e crianças, Nunca quis com meu uso estragar.
As piabas nadavam em meu leito, Muitos peixes passaram por mim. Para a vida – eu juro – fui feito! Não é justo me matarem assim!
Minhas margens acolhiam serpentes, Minha água era doce, potável. Eu sou vítima de eleitores dementes, Demagogos! Progresso danável!
Ouve o grito, pedindo socorro! Se quiserem – é possível – há tempo. Sou doente, me ajudem que eu morro! Pensem rápido enquanto agüento.
Receptores coloquem nos lados Que acolham o podre do esgoto, De mim tirem objetos jogados E verão meu sorriso maroto.
E de vida enchei Montes Claros Aos Domingos serei um lazer, Águas puras, quiçá peixes raros De meu seio irão renascer!
AUTOR: Professor ZUBA