O Castanhão com sua dupla função estratégica: assegurar água durante os períodos críticos e conter as enchentes nos anos especialmente chuvosos, também permitirá a geração de mais 22,5 MW de energia para a região e em conjunto com os demais reservatórios de grande porte já construídos, consistirá na implantação de um sistema de gestão integrada das principais bacias do Ceará através do Eixo da Integração – Eixão ou Canal da Integração – que interligará as três maiores reservas hídricas do Ceará, o Castanhão, o Orós e o Banabuiú. Sua extensão será de 255Km de comprimento, composto por uma estação de bombeamento, 166,59Km de canais, 93Km de adutoras 1,1Km de túneis. Está previsto o aproveitamento do sistema na irrigação de 10.500 hectares de terras férteis nas chamadas manchas de solo, e a complementação hídrica para os projetos de irrigação do tabuleiro de Russas. O sistema vai cortar em toda sua extensão os municípios de Alto Santo, Jaguaribara, Morada Nova, Russas, Ocara, Cascavel, Pacajus, Horizonte, Itaitinga e Pacatuba. De acordo com Ednardo Gimenes, secretário de Recursos Hídricos, a estimativa é que até 2006 o Canal da Integração esteja concluído, e assim, o Estado tenha garantido por um prazo de até 30 anos, o abastecimento de água para o consumo humano, industrial e de irrigação para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), distritos industriais de Maracanaú, Pacajus e Horizonte, complexo industrial do Porto do Pecém, o desenvolvimento hidroagrícola das áreas de tabuleiro da bacia do Rio Jaguaribe e o atendimento ao abastecimento humano das comunidades em torno do seu trageto. Inaugurado em setembro de 2004, o primeiro trecho do Eixo da Integração Castanhão a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), trata-se da etapa que interliga o Castanhão ao Açude Curral Velho, em Morada Nova, com o objetivo de garantir a complementação hídrica para os projetos de irrigação do tabuleiro de Russas. Segundo o subsecretário de Recursos Hídricos, Francisco José Coelho Teixeira, o açude Curral Velho ao receber as águas do Castanhão, permitirá o beneficiamento, através de irrigação de áreas da Chapada do Castanhão, da mancha de solo do roldão de Morada Nova, e tabuleiro de Russas. Além de assegurar o consumo humano e industrial nestas áreas. O primeiro trecho trata-se de 56 quilômetros, sendo 32,3 km de canal e o restante de tubulação. O canal tem abertura de 14 metrosm, 5m de largura de fundo e 3m de profundidade. Sua vazão será de 12 metros cúbicos por segundo (m³/s).
O seu pleno funcionamento estabelecerá a pré-condição para o surgimento de um grande pólo agro-industrial e uma melhor distribuição das atividades produtivas e da população no território cearense.
È fato que o Castanhão irá gerar riquezas inestimáveis, contudo ficam dispersas na brisa da faraônica barragem as palavras da Freira Maria Bernadete Neves, de 57 anos, que organizou as reivindicações dos moradores de Jaguaribara nas negociações com o governo. “Que o açude vai gerar riquezas vai, mas precisamos saber para quem”.
Lucimar Nascimento/Patrícia Janiele