RIO JAGUARIBE: UMA HISTÓRIA QUE CORRE, UMA VIDA QUE MORRE.
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Açude Público Castanhão

A colina da caatinga virou península; os morros mais altos, ilhas verdes, e o pasto onde hoje voa a graúna, um fundo lodoso. A torre da Igreja Santa Rosa de Lima, destacada na paisagem árida de Jaguaribara, no interior do Ceará, desapareceu em meio às águas. Como um dia profetizou Antônio Conselheiro, o revoltoso de Canudos, “O sertão vai virar mar”. Discutido e idealizado desde o século XX, os primeiro estudos acerca do Castanhão foram realizados em 1911, pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS. A obra foi iniciada em 16 de novembro de 1995 e nos últimos cinco anos, foi paralisada quatro vezes por desvio e/ou falta de recursos. Ainda com as obras inacabadas, o Castanhão esperou quase uma década para que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cortasse a fita verde e amarela da inauguração, nos últimos dias do seu governo, em dezembro de 2002. Com seguidos aditamentos, palavra que no dialeto dos empreiteiros significa um cacau a mais do que o previsto no contrato inicial, a barragem custou aos cofres públicos algo em torno de R$ 420 milhões, pelo menos 100 milhões acima do previsto. Em 2004, cerca de 10 mil habitantes de Jaguaribara, hoje coberta, foram removidas para a planejada área urbana da Nova Jaguaribara, embora muitos protestassem. O dinheiro gasto até a inauguração não foi o suficiente para evitar o vexame, quando em torno de 200 famílias da área rural, ainda não indenizada pela perda de terras, tiveram que ser retiradas por conta da invasão rápida das águas. “O DNOCS, historicamente, sempre foi de Caráter obreiro, deixando as pessoas em segundo plano, com uma herança de desrespeito muito grande às populações”, comentou Eduardo Santana, presidente do órgão em uma entrevista. “A sorte é que Jaguaribara tem muita mobilização e sempre cobrou respeito nesse processo todo”. O mar no sertão como é conhecido o Açude Castanhão consiste em uma barragem de terra, com 60 metros de altura, um lago artificial que cobrirá uma área de 32,5 mil hectares na sua cota de sangria e 60 mil hectares na cota de enchente máxima provável, e que acumulará, no máximo, até 6,5 bilhões de metros cúbicos de água, o que equivale a mais de duas bacias de Guanabara juntas. Sozinho, o Castanhão aumentará a vazão regularizada do Rio Jaguaribe de 22 para 57 metros cúbicos por segundo, com 90% de garantia. Este acréscimo de vazão permitirá expandir a área irrigada em 43 mil hectares e assegurar, mesmo nos anos críticos, o abastecimento de água ao Baixo Vale e a região metropolitana de Fortaleza, alem de permitir o fornecimento de água para as áreas de influência do Porto do Pecém e do PRODETUR. Também protegerá o vale do Rio Jaguaribe de 72 mil quilômetros quadrados, metade do Estado do Ceará, situados no semi-árido e o Baixo Vale, com concentração populacional de maior densidade econômica e onde 25 mil hectares de terras de boa aptidão agrícola, são cultivadas de modo precário, dividido as inundações. No entanto ao contrario do discurso que o Deputado Estadual Arthu Bruno, em que diz: Talvez a barragem não chegue a sangrar ou seja permanecerá sem sangrar durante aproximadamente 20 anos consecutivos e ficara totalmente seca durante 5 anos; bobagem o maior açude do Brasil, operou um milagre no “dilúvio” que caiu sobre o Ceará no começo de 2004 onde nessa mesma data sangro pela primeira vez, com uma lâmina de aproximado cinco metros, e assim sem a represa, cerca de 200 mil pessoas estariam desabrigadas hoje ao longo do vale, como ocorreu em 1974 quando teve 225 mil pessoas desabrigadas em decorrência de uma grande cheia, por exemplo.

Anne Karoline/Adiel Felipe


As 12 comportas do Açude castanhão fotografadas logo após a sua conclusão.


Imagem aéria do Castanhão com 100% de sua obra concluida.


Fevereiro de 2004 primeira sangria do maior açude do Brasil.


Alunos conhecendo e estudando o maior açude público do Brasil...

Açude Castanhão (Vertedóuro)


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