RIO JAGUARIBE: UMA HISTÓRIA QUE CORRE, UMA VIDA QUE MORRE.
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Uma Artéria Aberta

Faltando 26 dias para transmitir o cargo ao sucessor Jânio Carlos, JK inaugurou o Orós pessoalmente a 5 de janeiro de 1961. Contudo, a infra-estrutura complementar do açude, primordialmente o sangradouro (150 metros de largura e 14 vãos de sangria), só seria concluído em 1965, no governo de Castelo Branco. No mirante do Orós, JK, é homenageado com uma estátua pedestre, juntamente com a efígie do fundador do O POVO, Demócrito Rocha, autor do poema O Rio Jaguaribe, onde foi sugerida a construção do reservatório. Diz os versos iniciais, “O Rio Jaguaribe é uma artéria aberta por onde escorre e se perde o sangue do Ceará”. A idéia na época era que o açude iria minimizar os efeitos da seca. O presidente comprou a idéia e construiu a obra que tem capacidade de acumular dois milhões de metro cúbicos de água. Na inauguração do açude Jucelino recomendou que os versos fossem inscritos no local. A penúltima vez que o Orós sangrou foi em dezembro de 1989 e depois de 15 anos de espera, o segundo maior açude do Ceará, começou a transbordar novamente, em 2004, num período também atípico, no mês de fevereiro, quando regularmente as chuvas estão começando. Eram 10 h e 20 min, quando uma lâmina fina de 4 centímetros lavou a parede do sangradouro. A sangria atraiu de imediato, centenas de moradores e foi comemorada com queima de fogos e gritos de “viva”. O Orós, que sangrou pela última vez havia 15 anos, vai despejar agora na barragem do Castanhão, no mesmo vale do Rio Jaguaribe, aquele que “aparecia” nos livros de geografia como o maior rio seco do mundo. “Aparecia”, pois é graças ao açude Orós que o Rio Jaguaribe perdeu o título de O maior rio seco do mundo, e subiu ao pódio como um rio perene.

“A fina lâmina d’água que lavou a parede do sangradouro, lava também a alma desse povo sofrido, que sente no precipitar de cada gota, o resultado de sua fé”.

Marcos Paulo Guedes/Hermison Nunes


Parede do Orós Construida em formato de um arco para q não venha a desmoronar novamente.


Barragem Orós Fevereiro de 2004 após 15 anos o Orós vouta a banhar o vale do Jaguaribe.


Juscelino Kubitscheck o idealizador de todo esse empreendimento.


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